sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Excertos - Irlanda do Norte

“O presente período de violência na Irlanda do Norte, conhecido como “The Troubles”, irrompeu em Agosto de 1969.
Falando de uma maneira geral, é um conflito entre republicanos, que são predominantemente católicos e que querem que o Norte se una à República da Irlanda, e unionistas ou lealistas, que são predominantemente protestantes e querem manter a união entre o Ulster e o Reino Unido. Cada um produziu uma verdadeira sopa de letras de grupos paramilitares e de organizações terroristas. O mais famoso, claro, é o Exército Republicano Irlandês Provisório, o IRA.
… De facto, das 3500 pessoas que foram mortas desde que começaram os Troubles, a maioria são católicos.
Mas a violência não começou em 1969. Católicos e protestantes têm andado a matar-se uns aos outros no Norte da Irlanda há séculos, não há décadas. Pode ser difícil fixar marcos históricos, mas os protestantes veem 1690, como o começo da sua ascendência no Norte. Foi aí que Guilherme de Orange derrotou o rei Jaime II, um católico romano, na Batalha de Boyne. Ainda hoje, os protestantes celebram a vitória de Guilherme sobre os católicos com uma série de desfiles barulhentos, levando por vezes a confrontações.
Na Irlanda do Norte, essa época é conhecida como “a temporada das marchas”. A 22 de Maio de 1998, o povo da Irlanda do Norte votou a favor do acordo de paz conhecido como de Sexta-Feira Santa, que exorta a partilha de poder entre católicos e protestantes. Mas a memória é longa no Ulster e nenhum dos lados tem estado disposto a afirmar que a guerra civil terminou verdadeiramente. … Manifestamente, há homens violentos em ambos os lados da divisão sectária da Irlanda do Norte – católicos e protestantes, republicanos e unionistas – que não são capazes de esquecer e não se acham preparados para perdoar. Alguns desses homens estão a conspirar ativamente para destruir o acordo de paz.” (Silva, 2011. p.11 e 12)
Silva, Daniel (2011). A Marcha. Lisboa: Bertrand.

Sites sobre a Irlanda:


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Adaptação moderna dos Lusíadas

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas...
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falam da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano...
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!