“O presente período de violência na Irlanda do Norte, conhecido como “The Troubles”, irrompeu em Agosto de 1969.
Falando de uma maneira geral, é um conflito entre republicanos, que são predominantemente católicos e que querem que o Norte se una à República da Irlanda, e unionistas ou lealistas, que são predominantemente protestantes e querem manter a união entre o Ulster e o Reino Unido. Cada um produziu uma verdadeira sopa de letras de grupos paramilitares e de organizações terroristas. O mais famoso, claro, é o Exército Republicano Irlandês Provisório, o IRA.
… De facto, das 3500 pessoas que foram mortas desde que começaram os Troubles, a maioria são católicos.
Mas a violência não começou em 1969. Católicos e protestantes têm andado a matar-se uns aos outros no Norte da Irlanda há séculos, não há décadas. Pode ser difícil fixar marcos históricos, mas os protestantes veem 1690, como o começo da sua ascendência no Norte. Foi aí que Guilherme de Orange derrotou o rei Jaime II, um católico romano, na Batalha de Boyne. Ainda hoje, os protestantes celebram a vitória de Guilherme sobre os católicos com uma série de desfiles barulhentos, levando por vezes a confrontações.
Na Irlanda do Norte, essa época é conhecida como “a temporada das marchas”. A 22 de Maio de 1998, o povo da Irlanda do Norte votou a favor do acordo de paz conhecido como de Sexta-Feira Santa, que exorta a partilha de poder entre católicos e protestantes. Mas a memória é longa no Ulster e nenhum dos lados tem estado disposto a afirmar que a guerra civil terminou verdadeiramente. … Manifestamente, há homens violentos em ambos os lados da divisão sectária da Irlanda do Norte – católicos e protestantes, republicanos e unionistas – que não são capazes de esquecer e não se acham preparados para perdoar. Alguns desses homens estão a conspirar ativamente para destruir o acordo de paz.” (Silva, 2011. p.11 e 12)
Silva, Daniel (2011). A Marcha. Lisboa: Bertrand.
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